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As Relações comerciais entre o Continente Africano e a China

Posted on: junho 11, 2011

Negócios na África 

O Congo, seus amigos chineses e o FMI

 O país, desprovido de estradas e meios de comunicação, foi recentemente coberto de antenas pelas empresas de telefonia. Agora, a China comanda a instalação de um cabo de fibra óptica que representará um salto tecnológico significativo. Enquanto isso, os aldeões reivindicam acesso à água e energia elétrica

 por Colette Braeckman

 Parados à beira da estrada que corta a cidade de Matadi, no extremo-oeste da República Democrática do Congo (RDC), os dois jovens engenheiros chineses não expressam qualquer variação de humor, apesar de todas as dificuldades enfrentadas. Sob o sol escaldante, You Jian e Jeng diariamente são obrigados a contornar rochedos e atravessar rios. Com frequência, encontram serpentes perigosas em seu caminho.
Mas nada parece atrapalhar sua missão: os dois pretendem instalar na RDC um cabo de fibra óptica vindo da África do Sul (West Africa Cable System). A novidade percorrerá todo o território, desde Moanda, no oceano Atlântico, até Kinshasa, capital da RDC, onde seguirá para Kisangani, antes de juntar-se, no leste do país, a outro cabo, vindo do oceano Índico. Ao todo são 5.650 quilômetros. O chefe dos dois engenheiros, Xie Hunter, encarregado local da China Intertelecom Constructions, uma filial da China Telecom, também demonstra obstinação: instalado na RDC durante três anos, ele terá, nesse período, apenas sete dias de folga. Com seus US$ 1.500 de salário mensal, pretende pagar os estudos de seu único filho, que continua na China.
O Congo, desprovido de estradas e meios de comunicação, foi recentemente coberto de antenas pelas empresas de telefonia privadas. Agora, a instalação de fibra óptica representará um salto tecnológico muito significativo: não apenas o custo das chamadas de celulares diminuirá sensivelmente, mas também será possível, por exemplo, efetuar transações financeiras com rapidez e transmitir programas de ensino a distância.
Enquanto aguardam para ingressar no mundo da informação, os aldeões contentam-se em reivindicar o acesso à água potável e esperar que, à noite, não precisem mais contar com a iluminação de velas – atualmente, a energia produzida pela grande barragem de Inga é comprada pelos países vizinhos.

Rentabilidade garantida

O projeto do cabo de fibra óptica, implementado pelo Serviço dos Correios e Telecomunicações (OCPT), é resultado de um investimento de 60 milhões de euros efetuado pela RDC. A primeira fatia, de 22 milhões de euros, veio de crédito concedido pelo governo chinês a título de cooperação para o desenvolvimento. A rentabilidade do negócio parece garantida: para usar o cabo, as empresas de telefonia privadas serão obrigadas a pagar impostos ao Estado que chegam a até 71 milhões de euros por ano. Isso, claro, não é bem aceito pelas companhias envolvidas: a Vodaphone (capitais sul-africanos e britânicos) reivindica na cidade de Moanda o direito de aterragem, ou seja, o controle do ponto de entrada do cabo, argumentando que foi a primeira a investir no setor de telefonia móvel e que já conta com 4 milhões de assinantes. A empresa diz temer que os congoleses não possam gerir todas as possibilidades que o cabo de fibra óptica lhes oferece.
O ponto de vista é contestado por Hunter: é verdade que o contrato mobiliza 2.500 trabalhadores congoleses supervisionados por 80 chineses, mas 20 engenheiros congoleses foram enviados à China para se qualificar e serão capazes de substituí-los na segunda fase dos trabalhos.
Enquanto uns estão cavando em Matadi, britadeiras gigantes entram em ação em Kinshasa para fundar as bases das artérias que cortarão a cidade. Os chineses transformaram a Avenida Trinta de Junho, coração da cidade, em uma pista com quatro faixas, uma sinuca que os pedestres atravessam sob risco de morte. Enquanto os ocidentais continuam debatendo as cláusulas dos contratos que ligam a RDC à China, o presidente congolês Joseph Kabila segue inaugurando um canteiro de obras por semana. (Edna Correia)

Confira a reportagem na íntegra lendo  a Edição 26 – Setembro 2009  : http://diplomatique.uol.com.br

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